terça-feira, 12 de maio de 2009

Star Trek, um novo começo


Minha espera pelo novo Star Trek pôde ser caracterizada por um mixto de ansiedade e ceticismo. Estamos na década dos prequels e dos remakes. Batman, James Bond, Sexta-feira 13. Cresci assistindo a estes filmes. Estas histórias estão totalmente entrelaçadas à minha vida.

E Jornada nas Estrelas não é exceção (sim, ainda conheço como Jornada nas Estrelas). Lembro de ver o primeiro filme quanto era um pequeno garoto. As imagens das naves Klingon cruzando lentamente a tela indo em rumo a uma grande névoa destruidora, acompanhadas da trilha-sonora de Jerry Goldsmith foi umas das lembranças marcantes da minha juventude.

Depois veio A Nova Geração. Que, graças aos VHS da Hobby Vídeo, foi outra de minhas obsessões juvenis. Acompanhei os filmes até Primeiro Contato (oitavo das 10 películas originais), que apesar de parecer um episódio extendido da série de TV, se coloca como um "prequel" merecedor de atenção. Então, desisti de acompanhar as séries e os filmes, tendo talvez me ocupado com outras obsessões.

Depois de assistir ao novo filme ontem, voltei à minha infância.

Não vou me prender a detalhes de enredo, isso pode ser lido em outros lugares. Reservei este espaço pois quero reforçar a qualidade do longa-metragem. Apesar de apresentar um vilão ligeriamente exagerado em suas proporções "Khanianas", as atuações são primorosas, em um roteiro que não projeta uma sombra negra sobre o túmulo de Gene Roddenberry, o criador da série.

Ele também possui uma trilha sonora que merece destaque, elaborada por Michael Giacchino, longo colaborador de J. J. Abrams e da Pixar. Mas a cereja no bolo fica para a Direção de Fotografia. Nunca vi um trabalho assim. 

Percebo que a intenção era de criar uma "realidade aumentada". Considero David Fincher o precursor desta técnica. A idéia é integrar os elementos digitais (atores, objetos de cena, cenários) de tal forma que eles sejam imperceptíveis a "olho nu". Isso é muito comum em Hollywood, mas dificilmente existe uma sensação de realidade, acabando por exagerar. Em Star Trek, os especialistas acertaram em cheio, com destaque ao movimento das câmeras, tanto nos cenários reais quanto nos digitais. Sem se perderem nos detalhes tecnológicos dos cenários em sem uma sensação "videogame", o filme emana tecnologia simplesmente pela iluminação dos cenários, pelos brilhos de luz na lente da câmera (o famoso lens flare) e pela rapidez no desenrolar da história. Brilhante! A Direção de Arte totalmente inspirada na série original também é um ponto positivo.

Não é exigido ser um conhecedor da saga para apreciar o filme, mas existem muitas referências para saciar os geeks. Eu me diverti em especial em testemunhar a técnica usada por Jim Kirk para vencer na simulação do ataque ao Kobayashi Maru. Além disso, me emocionei muito em ver a participação importantíssima de Leonard Nimoy na história. E no epílogo, chorei copiosamente.

Sem dúvida e por mais improvável que pareça, foi um dos melhores filmes que vi em muito tempo.

Recomendo assistirem também o vídeo que o crítico inglês Mark Kermode colocou no seu site comentando sobre o filme. BBC - Mark Kermode - Star Trek: Kirk vs Pike - Kermode Uncut Video Blog

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