terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Macs, MacWorlds, Steve Jobs e eu



Conheci meu primeiro Mac há 12 anos. Um colega na faculdade tinha uma revenda Apple. Eles eram bejes e caros. Mas fascinantes. Nunca tinha visto com computador como aquele. Fiquei simplesmente apaixonado pela máquina.

No mesmo local, este meu amigo prestava serviços gráficos e cheguei a estagiar um tempo lá. Aprendi muito sobre a história do brinquedo com os outros funcionários. Coincidentemente, foi a mesma época que o CEO da Apple, Steve Jobs, havia voltado para a companhia e a estava tirando do buraco. O clima entre os usuários era de muita expectativa e esperança de que a Apple voltaria a ser como ela era no início dos anos 80: revolucionária.

Foi quando vi pela primeira vez Jobs num webcast. Era alguma MacWorld e ele apresentava especificações para um futuro sistema operacional entitulado MacOS X (lê-se: dez). Nos anos seguintes, continuei a acompanhar o cativante CEO em suas apresentações, que aconteciam umas três ou quatro vezes por ano. 

98, 99, 2000 e 2001 foram anos muito importantes para a indústria da informática. Foi quando a Apple apresentou o iMac, os novos PowerBooks, os novos PowerMacs, o iBook (primeiro laptop Wi-Fi da história), o MacOS X, o iTunes e o iPod. Com um lançamento após o outro, Jobs me cativava cada vez mais, não somente pela incrível natureza dos produtos de sua empresa, mas também pela maneira como os apresentava. Isso mudou a minha maneira de ver o mundo. Ele se mostrava uma pessoa apaixonada pelo que fazia. Um presidente de uma companhia que se colocava na linha de frente como um verdadeiro porta-voz para o que desse e viesse. 

Em dezembro de 2000, havia chegado a minha vez de mostrar o que tinha aprendido. Foi quando apresentei meu TGI do curso de Propaganda e Marketing que iria concluir. Baseado no serviço Netflix que tinha acabado de ser lançado nos EUA, bolei uma idéia de montar uma video-locadora delivery pela internet, que acabou se tornando um video-clube integrado em uma rede social batizado de Virtual Video Club.

No grupo de seis pessoas, além de mim, mais duas eram muito participativas e realmente acrescentaram muito ao trabalho. Para algo totalmente baseado numa idéia que para a época parecia intangível, acho que fomos muito bem sucedidos. Usei todos os meus conhecimentos de alta-tecnologia de consumo que havia aprendido com a Apple no projeto. Quicktime, Akamai, WebObjects...

Quase bombamos. Fomos execrados pelo painel avaliador que mal sabia o que era a internet. O que salvou muito foi a apresentação que fiz: totalmente baseada no formato "Steve Jobs". Os slides concisos com grandes imagens destacadas e pouquíssimo texto em fundo preto.

Devia ter investido no negócio. Basta entrar no Google hoje e procurar quantos video clubes delivery existem em São Paulo hoje. Poderia ser um pioneiro. Mas, desculpem-me, desvio do assunto principal.

As MacWorlds que aconteciam em São Francisco, Boston, Nova York, Tóquio e Paris começaram a desaparecer a medida que a Apple deixava de participar delas. Portanto, em janeiro de 2006 fui até a Califórnia para poder assistir o homem em pessoa. Naquele ano, Jobs fez o anuncio histórico da adoção dos processadores Intel, participei de um workshop sobre fluxo de trabalho em vídeo de Alta-Definição e acompanhei um seminário sobre Podcast.

Após o keynote, tive a oportunidade de parabenizar pessoalmente Phil Schiller, diretor de Marketing da Apple, que havia apresentado o primeiro MacBook com web-cam integrada e andava agitado por entre as pessoas no salão. Fui então até a lateral do palco, onde Jobs conversava com algumas pessoas. Subitamente, ouvi um "let's go" e todo mundo saiu por entre as cadeiras do pavilhão.

Um dos poucos seguranças educadamente me pediu somente duas coisas: não bloqueie a passagem dele e não pisque o flash na sua cara. Calmamente, Jobs seguiu a caminho do pavilhão de expositores com uma troupe enorme de pessoas. Vários fan-boys e jornalistas o seguiam, incluindo eu. Foi quando consegui chegar bem perto e tirar uma foto sua.


Percebendo minha excitação por encontrar meu ídolo, momentos depois Jobs acenou para mim. Fiquei tão feliz que mal percebi quem fazia parte da sua entourage e acabou ganhando destaque na minha foto: Sydney Pollack. :-P Foi realmente um momento muito marcante e importante para mim.

Daqui a pouco, acontecerá mais uma MacWorld. Será a última com a participação da Apple e Steve não estará presente por questões de saúde. Quem fará a apresentação será Phil Schiller. É bem provável que Jobs continue fazendo keynotes, mas certamente serão somente em eventos fechados para desenvolvedores e imprensa.

Não nego: o homem é o meu ídolo. Sua maneira de pensar e tomar desições focando o essencial sempre me admira. Seria formado pela escola Bauhaus de administração se houvesse uma. Fico muito feliz de ter vivido a experiência de uma MacWorld com Steve Jobs.


3 comentários:

Beth disse...

Adoro quando você divaga e desvia do assunto principal.

Deu vontade de ter assistido a apresentação do seu TGI. Ninguém filmou? Se fosse hoje provavelmente eu filmaria.

AGORA sinto que seu Ano Novo começou. Am I very wrong? ;-)

Roger disse...

Meu ano sempre começa com a MacWorld, mas o fato é inegável: http://rcrocha.blogspot.com/2009/01/nothing-changes-on-new-years-day.html

Guilherme disse...

Oi Rogério. Nos conhecemos na palestra do Sérgio Miranda na Fnac (27 de janeiro) e fiquei de te passar o link da MacCult, lembra?
http://maccult.tv/
Mais uma vez parabenizo pelo Universo Binário e espero uma nova matéria urgente... rsrs
Abraços,
Guilherme