quarta-feira, 12 de março de 2008

"Wow!"


O brilhante Walt Disney (o homem, não o parque de diversões) costumava dizer que "para cada sorriso, deve haver uma lágrima". Com esta simples frase, ele conseguiu resumir grande parte da teoria sobre dramaturgia.

Mas falar é fácil. Difícil mesmo é executar. Parece que a Walt Disney (a empresa, não o homem, mas fundada por ele) ficou totalmente perdida depois de sua morte.

Ficaram mal das pernas. Clichê, em cima de clichê. Fiquei cansado de ver histórias de princesas, salvas por príncipes bonitinhos. E acho que não fui o único.

Tiveram que aparecer um grupo de jovens, que nada entendiam de animação tradicional, prá mostrar pros velhacos como é que se faz.

Liderados por Steve Jobs e John Lassiter, que tem o próprio Disney como inspiração, estes rebeldes não só conquistaram a Disney e tiraram ela do buraco, mas inventaram uma nova linguagem para filmes de animação usando computadores.

Por princípio, o computador não faz nada sozinho. É necessário que alguém mande ele fazer. Isto também faz toda a diferença. Vide trabalhos da Dreamworks, Fox e dos próprios estúdios Disney. Todos tentaram, mas nenhum conseguiu, até agora, superar a elegância e magia alcançada pela Pixar.

"Quero fazer coisas que sejam valiosas daqui 50 anos, e não cinco anos", diz Steve Jobs. Para isso é necessário muito planejamento e desenvolvimento, principalmente dos personagens, pois são eles que vão trazer sorrisos e lágrimas à platéia.

O melhor exemplo disso é o novo filme deles, WALL•E. Conta a história de um robô que, 700 anos no futuro, fica na Terra limpando o lixo, enquanto os humanos vão explorar o espaço sideral.

O personagem não emite quase nenhuma palavra, somente sons que parecem palavras, mas isso não impede que ele seja expressivo. Na dramaturgia, também se sabe que as expressões faciais são os principais veículos para transmitir emoções e que 90% delas estão nos olhos. "Que tal então se criássemos um personagem que só tenha olhos no rosto?" Algo assim deve tem passado na cabeça do pessoal. E amigos, devo dizer que funciona.

Convido-os a assistirem os trailers maravilhosos desde filme que vai estrear em junho. Impossível não se emocionar. Já os assisti mais de 20 vezes e fico com os olhos rasos de lágrimas todas as vezes. (-;

Notem a presença de Aquarela do Brasil acompanhada de sons de máquinas de escrever. Acredito ser uma homenagem ao brilhante filme Brazil de Terry Gilliam, que como WALL•E nada tem a ver com o Brasil. Aparentemente.

Add.: Quase esqueci do fiasco foto-realista que foi o Final Fantasy da Square. Tem mais furos no roteiro que novela da Globo.

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