sábado, 9 de fevereiro de 2008

Blair Witch + Godzilla = Cloverfield


Depois do 9/11 e a imagem icônica das Torres caindo, as pessoas não se impressionam com mais nada. Os geniais caras por traz do filme Cloverfield sacaram isto e tiraram muito bom proveito.

A equação do titulo é muito simplificada. Uso referências minhas. Podia incluir uma tonelada de outras. Mas basicamente o filme é isso. Uma história de monstro que ataca Nova York do ponto de vista de jovens com uma câmera na mão.

Só que a maestria está em como eles mostram (ou não) a ação. A câmera está sempre em movimento, correndo prá lá e prá cá. Balançando prá chuchu. E os efeitos estão sempre lá, mesmo que seja por um único frame (1/24 de segundo). Mérito dos técnicos de Matchmove.

Todo mundo já conhece o fundo verde que usam em filmes. Geralmente é verde, mas pode ser azul ou vermelho. Colocam os atores na frente e depois usam o computador para recortá-los e inserí-los num fundo qualquer. Espaço sideral, fundo do mar etc. Até um passado próximo, a câmera ficava estática. Assim ficava mais fácil de criar um fundo realista. Depois ela começou com pouco movimento. Em A.I. - Inteligência Artificial e na nova trilogia Star Wars, os fundos ganharam muita vida, e usando marcadores, como pontos brancos no fundo verde, ficava bem fácil e automático de animar o fundo junto com o movimento da câmera. No caso de Cloverfield, poucas são as cenas que o meu olho clínico conseguiu detectar o uso de um fundo verde. Grande parte do filme acontece nas ruas de Manhattan, ao ar livre. Aí entra o MatchMoverPro e muita, mas muita criatividade.

Com um software de US$ 700,00 (na sua versão mais simples), é possível marcar qualquer ponto no vídeo e identificar o movimento. Recortando manualmente os atores e traçando o movimento deles, pode-se inserí-los em qualquer situação, sem a necessidade de um fundo verde. Veja um exemplo simples desta aplicação aqui.

Parece um trabalho fácil, mas não é. A maior equipe do filme foi com técnicos de MatchMove. Mas também tiveram os artistas 3D, que precisaram moldar e destruir Manhattan, prédio por prédio, incluindo uma cabeça voadora da Estátua da Liberdade. Todo este trabalho, somado a uma direção genial do praticamente estreante Matt Reeves e a mente aberta do produtor J.J. Abrams fazem de Cloverfield uma obra-prima do cinema contemporâneo.

Desde a primeira explosão, percebe-se que este não é um filme catástrofe como qualquer outro. Fragmentos enormes voam em direção aos pobres e indefesos jovens, e consequentemente, à platéia. Óculos 3D não são necessários. A ação é totalmente imersiva e hiper-realista. Não há trilha sonora orquestrada, ela só começa um minuto e meio depois do início dos créditos finais.

Não percam. É um filme que precisa ser visto no cinema.

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