sábado, 15 de dezembro de 2007

We're Sons Of Our Fathers


Toda a semana, a iTunes Music Store dá uma música de graça. Esta semana é um tema natalino do Michael Bolton. Verdadeiramente precioso.

E não tem como eu pensar em Michael Bolton e não lembrar do meu pai. Dele e do seu gosto musical duvidável, claro.

Tudo começou com Rosana: "com'uma deusaaaaaaaaaaaa, você me mantéêemm....".

Depois veio Michael Bolton, Kenny G., Aaron Neville. 

Lógico que não podiam faltar as divas Celine Dion, Laura Pausini e Whitney Houston. 

"AND IIIIIIIIIIIIIiiiiiiIIIIIIIIIII will always love youuuUUUUUuUUUUUUuUuuUUuu." 

E graças ao advento do CD, uma novidade na época, era possível pressionar o botão Repeat One e apreciar repetidas vezes estas obras-primas da música popular. Isto para ele, mas não aos outros passageiros do carro que não compartilhavam deste peculiar gosto musical (lê-se: este que vos escreve).

Meu pai já foi tudo na vida: carregador de caixas em feira, vendedor de automóveis, piloto automobilístico, empresário do ramo cosmético, empresário do ramo imobiliário, empresário do ramo de importações... Foi até músico com compacto gravado. Sim, verdade. Tenho foto prá provar.

Vira-e-mexe ele sacava um violão de algum canto da casa e tocava. Geralmente para impressionar alguma namorada nova. O mais curioso é que mudavam as namoradas, mas as músicas continuavam as mesmas. 

Tinha uma voz muito bonita, com um timbre bem característico de Velha Jovem Guarda.

Até que o coroa era boa pinta. Olhos azuis com uma cor de pele bem "mediterrânea". Isto tudo somado ao charme irresistível, não tinha moçoila que não caísse matando.

Não sei quantos destes traços puxei dele. Certamente, a aparência "mediterrânea" que não. Nem o gosto musical. Nem o charme irresistível. Nem o interesse por esportes automobilísticos. Nem a visão comercial. Nem o total desprezo por qualquer coisa que ligue na tomada mas não faça ruído de um motor elétrico girando em alta-velocidade.

Talvez a voz. Tenho dificuldade em abrir mão do vibratto. Vem de um jeito muito instintivo. 

Talvez o ato de tocar violão. Tenho guitarra e só sei tocar "aquelas duas músicas".

Apesar dele fazer de tudo prá passar o tempo que podia comigo, não tive muita oportunidade de realmente conhecer ele. Nem ele de me conhecer.

Hoje sou um adulto cheio de projetos. Alguns dão certo, outros não. Como ele, durante a sua vida. E por mais que sejamos diferentes, de alguma forma somos o mesmo. Sou seu fruto. E carregarei isto comigo durante toda a minha vida.

Hoje sinto muito a sua falta. Mas ele está dentro de mim e sai para me ver toda a vez que canto.

Obrigado, pai. Eu te amo.

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