quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Next week, we're going after McCarthy.


Belíssimo trabalho de George Clooney em Boa Noite e Boa Sorte, seu segundo projeto como diretor. No início dos anos 50, a "ameaça" comunista criou uma núvem de paranóia nos EUA e o senador Joseph McCarthy se aproveitou deste medo, condenando possíveis comunistas à prisão por traição. Entretanto, o jornalista Edward R. Murrow (o ótimo David Strathairn) e o seu produtor Fred Friendly (George Clooney) decidiram não se abalar e desmascarar o senador em rede nacional, colocando em grande risco suas vidas pessoais e profissionais.

O filme usa imagens de arquivo, fotografia preto-e-branca, direção de arte inteligente e uma pitada de jazz para criar um ótimo documento histórico, extramamente educativo e ao mesmo tempo muito relevante aos tempos atuais. Em diversos momentos, é mostrado o poder da política e das grandes corporações sobre as telecomunicações. Enquanto os anunciantes acreditam que o povo somente se interessa por talk-shows e game-shows, jornalistas de caráter tentam por em prática seu dever profissional, e porque não cívico, de informar e educar a população. Murrow disse que "a televisão somente se transforma em uma ferramenta de alienação, se assim nós a fizermos".

Durante minha recente participação na MacWorld 2006 em São Francisco, tive a oportunidade de ouvir o mesmo de Leo Laporte ex-apresentador da TechTV, extinto canal à cabo dedicado 24 horas à tecnologia e informática. Depois de ser comprado pela gigante Comcast, a TechTV deixou de existir por acreditarem que não existia público suficiente interessado neste tipo de material e decidiu ceder seu lugar para a G4tv, dedicada a video-games, um assundo "mais na moda". Aparentemente as centenas de milhares de pessoas que participaram da feira não são prova suficiente de um mercado latente.

A quase extinção da nossa TV Cultura e os índices de audiência do BBB na Globo também provam a teoria de Murrow. Ora bolas...algumas curiosidades sobre o próprio filme provam essa teoria. Os produtores decidiram filmá-lo originalmente em cores com medo de não conseguirem distribuidores interessados em um filme em preto-e-branco. Ele também demorou para chegar no nosso país por dificuldades em obter distribuição local, finalmente feita pela Paris Filmes.

Também é curioso observar que, naquela época, o fumo não era considerado um "problema social" ou um risco de vida. Tanto que o programa era patrocinado pelos cigarros Kent e o próprio Murrow fumava durante sua apresentação na TV. Estava morrendo de vontade de fumar durante a projeção de tanto ver as pessoas no filme fumando. Tive que acender um no caminho para casa. :-)

Murrow também disse que "se não enxergarmos a TV como um instrumento poderosíssimo de educação, ela não se torna nada mais além de um caixote preto com luzes e fios". Isso em 1956.

Deixando espaço para sua reflexão e buscando fugir do plágio, encerro minha transmissão com essas palavas de conforto:

Até mais e tudo de bom.

4 comentários:

Paulo "Limão" Simões disse...

Brilhante, Roger!

Ricardo Tedesco disse...

Muito bom. Gostei dos comentários e da linha do texto. Parabéns! Aliás, com sua permissão endosso tudo que foi escrito. Ah, e vou assistir o filme depois disso hehe

Rogério Rocha disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Flavs disse...

A trilha é muito boa!!! Good night and good luck!