quinta-feira, 13 de outubro de 2005

He IS Rael!

Quase uma semana se passou e eu ainda não tinha escrito nada sobre o show do Musical Box.

A banda canadense me surpreendeu. O conceito do trabalho deles é reproduzir com mais detalhes possíveis os shows do Genesis de 1971 a 1975, época em que Peter Gabriel se maquiava, voava no palco, se travestia de raposa ... tudo em nome da arte. Na turne de 1974-1975, The Lamb Lies Down On Broadway, o cuidado com os detalhes foi impecável. O album duplo conta a história de Rael, arruaceiro de Nova York que se perde em um caos surreal depois que uma gigatesca nuvem de lã (?) desce sobre Manhatan. Mas como não existem registros oficiais da tourne de 1975 em video, o Musical Box entrou em contato com os integrantes originais e técnicos da época para buscar detalhes. Desde o posicionamento dos integrantes da banda no palco até os slides projetados ao fundo, tudo foi reproduzido com precisão. Eles são a única banda no mundo autorizada pelos integrantes originais à executar oficialmente o show.

O resultado é surpreendente. A começar que a voz do vocalista Denis Gagné é idêntica à de Peter Gabriel. Sua postura no palco também é. Os outros integrantes também fazem performances carbonadas. Incrível! A parte técnica é revolucionária, mesmo para padrões atuais. Três projetores independentes lançam imagens estáticas que complementam a trama da trajetória de Rael. As imagens foram produzidas exclusivamente para o show, muitas delas se utilizando de fusões óticas para gerar as paisagens surreais da Manhatan paralela. Luzes verdes, vermelhas e azuis se mesclam sobre os integrantes da banda criando infinitas variações de cores. Como qualquer espetáculo cênico, há trocas de figurino do vocalista que interpreta o papel de Rael. O cilindro de pano, mostrado na imagem acima, representa a Lamia, criatura meio mulher, meio serpente que seduz o personegem, mas que depois é comida por ele.

Para falar a verdade, a história é tão confusa que até hoje não entendi. Mas isso não tira nenhuma qualidade do espetáculo. Tinham muitos fans por lá. Pude notar pelo coro que se formou ao chegar no refrão da música Carpet Crawlers. Verdadeiramente memorável. O show contou também com duas músicas no biz: The Musical Box e Watcher Of The Skies. Figurino incluído.

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Quase não consegui chegar a tempo. A Heitor Penteado estava em reformas. Tive que cortar por dentro, cai na Pompéia e peguei a Coriolano, estacionando na saída dos fundos do Olympia. Quinze minutos atrazado, cheguei ofegante até descobrir que o show estava mais atrasado que eu. Começou 40 minutos depois. Liguei para o Adriano, meu amigo fan que iria no mesmo dia. Ele estava sentado no balcão, mais longe do palco. Na minha mesa não tinha mais ninguem, portanto chamei ele para sentar comigo. No final, aguardei os integrantes sairem e peguei autógrafos. O guitarrista, François Gagnon, achou estranho eu pedir para ele autografar o album original do Genesis. "Você deveria pegar nosso autógrafo no programa do show que estava sendo vendido no lobby." Estava sem dinheiro. "Pardon." As chances de pegar os autógrafos dos integrantes originais são praticamente nulas. But it's close enough.

Um comentário:

Beth disse...

Estava ouvindo justamente Carpet Crawlers (com Phil, Earl's Court 1977) qdo vi seu scrap. Clima perfeito. Ah... a foto da Lamia ilustra meu MSN atualmente - mas uma foto que EU tirei, rs. Beijo.

13.10.05 - 4:22 pm