quinta-feira, 18 de agosto de 2005

And so it is...


Não consegui me conter. Tive que levantar da cama pra escrever este post.

Para quem não sabe, minha esposa Carol e eu estamos encerrando nosso casamento. Estamos fazendo isso porque descobrimos que nos gostamos muito, mas que não vivemos os suficiente. Afinal de contas, temos 26 anos. Nos casamos com 23.

Estamos passando por muitas transformações e descobertas nos últimos 12 meses, desde que descobrimos que algo estava errado. Não com o outro, mas com o próprio. Ela começou a fazer terapia. Algumas semanas depois, senti que estava ficando defasado e comecei também. Ainda estamos fazendo e acho que não poderia ser melhor. Dificil. Dolorido. Sofrido. Mas, melhor. Também descobrimos que nosso carinho pelo outro persiste, então estamos tentando passar por esta fase sem criar ressentimentos.

Por que este título? Esta é a primeira frase da música The Blower's Daughter do Damien Rice. Tema do filme Closer.

"Ela te traiu? Você transou com uma prostituta em Nova York?"

Não.

Ao meu ver, a música fala muito claramente sobre nosso relacionamento. De certa forma, sempre soubemos que iríamos nos separar.

Durante nosso processo de avaliação do casamento que aconteceu recentemente, assistimos o filme. E como um bom filme sempre deve terminar, ele nos colocou um monte de dúvidas nas nossas cabeças. "Você já me traiu?", perguntou ela rapidamente após ouvirmos atentamente à música nos créditos finais. Esse filme realmente tem o dom de colocar minhocas na cabeça de qualquer casal (principalmente se o casal for muito certinho como nós). "Claro que não.", respondi.

Recomendação: Jamais assistam este filme junto com seu parceiro(a)!

Na verdade, descobrimos que o que mais nos chamou a atenção no filme, além do fato daquelas pessoas também precisarem desesperadamente de terapia, é a maneira como elas vivem livremente e intensamente todos os momentos das suas vidas. Algo que nunca experimentamos realmente. Nossas mentes sempre estavam focadas no outro, seja ele quem for, nunca em nós. É evidente que elas sofreram muito, mas também tiraram as suas dúvidas sobre a vida, o amor, o sexo, a paixão, o casamento da melhor forma que existe: experienciando.

Existem duas maneiras de se aprender as coisas na vida: conhecendo sobre as experiências de alguém ou experienciando elas mesmas. Cada dia que passa, acredito menos na primeira e mais na segunda. Na maioria das vezes, seguimos mais a primeira por medo. Isso traz, a longo prazo, uma insatisfação sem reazão aparente. O que me remete a outro ótimo filme: Passaporte Para O Céu. Mas este é assunto para outro post.

Encerro agora com a última frase da música:

I can't take my mind of you, 'till I find somebody new.

6 comentários:

Juliana Pavão disse...

É Roger...a gente torce pra que vocês sejam felizes sempre...juntos ou separados... Se precisar...estamos disponíveis em qualquer horário, tá?!
A fase ruim vai passar, você vai ver!!!
Um beijo

19.08.05 - 12:37 pm

Limão disse...

Rog, whatever happens, always remember this: "I get by with a little help from my friends I get high
with a little help from my friends
gonna try
with a little help from my friends"

Até ;)

19.08.05 - 1:56 pm

Paulo disse...

A sua recomendação é perfeita. Talvez o contraponto ao efeito Closer, em todas as acepcções que você discutiu no post, esteja em "Brilho Eterno" - especialmente na sequência final, com os dois no corredor e a fita tocando. É dilacerante, mas não deixa de estar cheio de esperança.

22.08.05 - 12:38 pm

Maria disse...

Roger, q legal saber q vc tbm aderiu aos blogs!!! Tava passando no orkut p/ te mandar uma msn e vi o end. daqui.
Bem, qdo quiser venha me visitar tbm.
Vou te adicionar na lista dos meus links,ok?
A propósito, caso não tenha identificado quem escreve, é a Fê (amiga da Ca).
Bj.

30.08.05 - 6:39 pm

Maria disse...

Qdo eu soube da decisão de vcs, pb este texto no blog (sem identificar nd nem ninguém pois os fatos servem-me apenas de inspiração).Bjk
"Coisas da vida q eu já sabia.
Quinta feira, final de tarde, em meio ao pão sírio de Olivier Anquier e brinquedos de pelúcia voando pela casa, ouço o TRRRRIMMM do celular.
Assim q identifico quem é do outro ld da linha, atendo td feliz - afinal, fazia um tempinho q ñ falava com essa amiga: "E aíííí Beltrana???Como vc tááá?Falei de vc p/ fulano outro dia!", despejo de cara, euzinha, inoscente e td feliz.
Do outro ld, noto q a alegria é recíproca, q de fato ela estava feliz em falar comigo, q gostaria de contar as últimas novidades, mas....por um momento percebo uma ezitação e a necessidade de dizer-me td de uma vez. E assim ela fêz, falou-me sem rodeios: acabou, nos separamos.
(...)Silêncio.
Penso por alguns minutos se devia ou não fingir surpresa.P/ q mentir?Florear?Fazer carinha de samambaia e voz de chuchu, se eu já sabia?
Opto em ser sincera, como sempre.
Tava na cara...Só os amigos/familiares mais afastados talvez não tivessem sacado a situação.
Eles mudaram mt nos últimos tempos, descobriram novas necessidades q TALVEZ o outro não possa suprir no momento...Enfim, queriam voar.
E, assim ficou decidido.Pelo menos por ora.
Não sei se o vôo será p/ lds opostos ou convergentes, mas gosto de ambos e quero vê-los felizes.Só isso.Boa revoada crianças e, feliz pouso em águas brilhantes."

30.08.05 - 6:46 pm

Beth disse...

Estranho comentar um post mais de 2 anos depois, mas falamos dele semana passada. Acabei de ver o filme algumas horas atrás. E quando li o post a 2 anos atrás, não tinha nada para comentar, eu só o conhecia superficialmente.

Então o que eu posso dizer hoje que não disse na época?... Que hoje eu conheço um pouco mais do "antigo" e do "novo" Rogério. Não acho que conheço o suficiente ainda (que bom!, quero conhecer mais). Que você acrescenta muito à minha vida e espero que tenha consciência disso.

Estou ouvindo a "The Blower's Daughter". Ela é dilacerante pra mim... imagino pra você. Acho que vou ouvir o Under The Iron Sea a seguir. :-)